Investimentos da Energas em Uberlândia são assunto no Jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte

Por Bruno Carvalho

Os incentivos tarifários para o consumo de eletricidade produzida a partir do biogás de aterros sanitários têm provocado uma alta na demanda por esta energia alternativa. Grandes consumidores de energia que podem acessar o mercado livre já perceberam a vantagem, e a oferta não tem conseguido atender a todas as empresas interessadas. A consequência é o aumento dos preços, o que tem impulsionado a implantação de novas usinas. Em 2010, eram nove no país e, hoje, são 18. Nesta quinta-feira, entra em teste o motor de uma usina em Uberlândia, com potencia de 1,4 megawatt (MW).

As usinas de biogás funcionam a partir de captação e queima do gás metano por turbinas que produzem energia elétrica e liberam gás carbônico, o CO2, que é cerca de 21 vezes menos nocivo. Apesar de essa energia ser mais cara, o seu preço no mercado livre se torna mais atraente, pois ela possui o benefício da isenção de tarifa de transporte.

Segundo o analista de comercialização da Cemig, Bráulio Dolabella, há uma demanda maior do que a oferta. “Os consumidores do mercado livre procuram essa energia. Priorizam energia pelo custo menor, mas o apelo ambiental é importante”, afirma.

A Cemig já possui um contrato com o consórcio Horizonte Asja para a compra da energia produzida no aterro de Belo Horizonte, onde a usina tem potência de 4,3 MW.

Recentemente, o quarto motor foi instalado e, hoje, está operando com 60% da sua capacidade. Em julho, quando estiver em produção máxima, a usina de Belo Horizonte vai ofertar 5,5 MW para a Cemig, o que poderia iluminar uma cidade de 46 mil habitantes.

De acordo com Dolabella, a operação com biogás não é tão lucrativa quanto outras fontes de energia. “Não é a mais rentável, mas a Cemig quer atuar em vários mercados e está em negociações com mais parceiros da área de energias renováveis”, afirma.

A usina de Uberlândia, que já deve começar a ofertar energia em março, é uma joint venture entre a Asja Brasil, empresa ligada a um grupo italiano, e a Limpebrás, que possui a concessão de exploração do aterro. Uma ampliação com o segundo motor está prevista para dobrar a capacidade para 2,8 MW já em 2013.

Um terceiro motor poderá entrar em operação, dependendo do mercado. Pelas estimativas iniciais, poderão ser entre 25 anos e 30 anos de exploração. Foram investidos R$ 5 milhões na implantação da usina. Ela é a quinta usina de biogás em Minas Gerais.

A exemplo do que ocorre em Belo Horizonte, um convênio deve ser firmado com a Cemig para a venda da energia. “Pelo preço que queremos, provavelmente só a Cemig conseguirá arcar, e ela já manifestou interesse”, afirma o administrador do Consórcio Horizonte Asja, Enrico Maria Roveda.

Ele diz que o país está no foco do grupo italiano. Houve um ligeiro recuo nos preços nos últimos meses, mas o negócio ainda é atraente. Em 2010, quando a usina de BH foi implantada, a cotação do megawatt no mercado livre estava alta, perto dos R$ 180. Hoje, houve uma retração para R$ 165.

Mesmo assim, o grupo vai ampliar as suas operações no país. Com 27 usinas de produção de energia renovável na Itália, três na China e duas na Argentina, ele diz que as condições para o negócio nesses países não estão tão atrativas como no Brasil. Além da planta de Uberlândia, uma outra está prevista para Natal, no Ceará. Mas negociações estão em curso para que duas outras usinas sejam implementadas no Estado, uma no aterro de Sabará e outra no de Contagem.

As Fontes de recursos são a venda da energia e comercialização de créditos de carbono

Neste tipo de empreendimento, as fontes de recursos são duas: venda da energia e a comercialização dos créditos de carbono. Entretanto, como o mercado europeu está em crise, a cotação dos créditos de carbono desabou. Em 2010, um crédito de Redução Certificada de Emissão (CER) chegou a valer 15 euros, mas hoje está em 4 euros.

“O aterro de Ipatinga seria uma alternativa, mas a planta só seria viável com a dependência dos recursos vindo do mercado de carbono, o que hoje representa um risco para o negócio” analisa Enrico.