Uberlândia tem fonte de energia limpa e renovável

Até 5% de toda a energia consumida em casas, empresas e indústrias de Uberlândia terá origem no lixo. Este foi o anúncio feito na manhã desta sexta-feira (15), durante a inauguração oficial da planta de biogás da Empresa Energás de Geração de Energia, instalada no antigo aterro sanitário da cidade. A iniciativa a favor da sustentabilidade é considerada inovadora no que diz respeito ao reaproveitamento dos gases produzidos pela biodegradação de resíduos sólidos, uma vez que o projeto desenvolvido no Triângulo Mineiro é o 1° do interior do país, 2° do Estado e o 5° do Brasil. A solenidade contou com a presença do prefeito Odelmo Leão, autoridades, funcionários da empresa e representantes de entidades e associações.

A planta está em operação há 60 dias e já disponibiliza 1,4 megawatts (MWh) de energia elétrica à Companhia Energética do Estado de Minas Gerais (Cemig). Este material também chamado de energia verde (ou limpa) é capaz de atender mais de 20 mil pessoas. A intenção é criar outras três unidades e ampliar a geração de energia para 5MWh, revertida em uma prestação de serviço a 60 mil habitantes.

“Uberlândia se adianta e mostra que está atenta às questões ambientais e à destinação correta dos resíduos. Vejo aqui uma idéia que saiu do papel e se tornou realidade, resultando em benefício para o povo, para o Cerrado e para as futuras gerações. Por isso, conversei com os diretores da Energás e sugeri que fossem feitos estudos relativos à viabilidade de interligação da Estação de Tratamento de Esgoto da cidade a este sistema de captação dos gases. Eles me garantiram que as medições e análises começarão em breve. Será uma solução prática, com resultados imediatos e potencializados”, explicou Odelmo Leão, enquanto conhecia as instalações da planta energética.

Desativado no final de 2011, o aterro recebia, diariamente, 600 toneladas de resíduos gerados pelos mais de 600 mil habitantes de Uberlândia. Até a finalização das atividades, foram acumulados cerca de 2,1 milhões de toneladas de lixo, que estão em processo de fermentação com a ação das bactérias presentes em materiais orgânicos e no percolado (chorume). Normalmente, a reação química produz gases que são lançados diretamente no ar ou queimados. Com a implantação da planta de biogás, será possível captar e realizar a combustão do metano e dióxido de carbono presente na decomposição de tudo que foi depositado durante 20 anos no aterro.

“O município já é referência na questão de saneamento e coleta de lixo. A Administração Municipal se preocupa com o meio ambiente e vê, na produção de biogás, uma alternativa criativa para o desenvolvimento sustentável. O prefeito, assim como toda a equipe que atua na Prefeitura, é parceiro deste projeto e crê que o aproveitamento consciente e adequado do biogás será revertido em benfeitorias para a comunidade”, contou João Batista Ferreira Júnior, secretário de Serviços Urbanos.

Benefícios

Além de ser uma fonte alternativa e incentivar a redução do consumo de combustíveis fósseis utilizados em diversos segmentos, a geração de energia elétrica feita pelo biogás traz outros benefícios ao meio ambiente. A queda na emissão descontrolada de gases nocivos gerados pela decomposição de matéria orgânica (como o metano) - que chegam a ser 21 vezes mais prejudiciais ao homem e à camada de ozônio -, ajudam a diminuir o efeito estufa e a controlar a temperatura média no planeta.

A previsão é que em 10 anos de operação, a planta energética de Uberlândia tenha poupado o meio ambiente de mais de 1,5 milhões de toneladas de dióxido de carbono. “Escolhemos executar o projeto em Uberlândia por conta das condições do aterro que foi desativado. Ele está licenciado e pautado nas regras de respeito ao meio ambiente, recebe elogios de entidades brasileiras e internacionais do segmento que vem até aqui conhecer as instalações. Além disso, sua curva de gás é acentuada e esteve em estudos durante 10 anos. Nosso objetivo é implantar as quatro plantas e logo ampliar a captação, com o uso dos gases do novo aterro sanitário de Uberlândia”, expôs Domício Ricardo Pereira, da Energás.

Ainda de acordo com Domício, o projeto executado na cidade está em conformidade com os requisitos e exigências do Protocolo de Kyoto (documento que estabelece metas de redução na emissão de gases que potencializem o efeito estufa nos países em pleno desenvolvimento). “Durante muitos anos, havia uma cegueira da economia em relação ao que era ou não sustentável: os administradores e governantes acreditavam não ter limites para o desenvolvimento, ainda que fosse à custa da natureza. Mas o foco mudou e exige eficiência do uso dos recursos e a criação de soluções inovadoras que sejam compatíveis ao aumento populacional e de consumo. O progresso pode e deve respeitar os limites físicos e ecológicos do planeta”, apontou.

A Energás é fruto de uma parceria entre a Limpebras (empresa do setor de limpeza urbana e operação de aterros sanitários) e a Asja (líder na Itália em produção de energia renovável).

Conheça o processo de captação, tratamento e geração de energia feito no antigo aterro sanitário de Uberlândia:

Captação e Transporte do biogás– A decomposição dos resíduos depositados no aterro gera o biogás, captado por poços (de até 40 metros de profundidade) instalados no local. O sistema introduz a energia em forma de vácuo para controlar o fluxo de biogás e aspirá-lo.

Tratamento e queima– O biogás aspirado passa por tratamento no filtro separador de partículas e no equipamento de chiller (também conhecido como trocador de calor). Assim que é tratado, o biogás é direcionado para estações de aspiração e controle, onde está instalado o flare (mecanismo de alta eficiência de destruição de metano).

Geração de energia elétrica– O material deste processo é transformado em combustível para geração de energia elétrica.

Números:

- A superfície dos aterros é de 400.000m²


- A energia verde produzida nos próximos 4 anos será de 90.000.000kWh


- A quantidade de CO2 evitado na atmosfera será de 710.000,00 toneladas


- 18.980.806 é o número de barris de petróleo economizados


- Cerca de 15 mil famílias serão atendidas por ano.